China cancela norma usada para vender lã como “caxemira de ovelha”
O regulador de mercado chinês anulou, com efeito imediato, uma norma de associação que definia o termo “绵羊绒”. Segundo a SAMR, empresas usavam a norma para vender lã de ovelha como se fosse caxemira.

A Administração Estatal de Regulação do Mercado da China (SAMR) informou em 5 de novembro que entregou à associação chinesa do comércio de produtos de origem animal (中国畜产品流通协会) uma decisão que anula, com efeito imediato, a norma de associação T/CAPMA 9—2025, “Especificação técnica para o comércio de 绵羊绒”. O termo pode ser traduzido como “caxemira de ovelha”. A anulação foi publicada na plataforma nacional de informação sobre normas.
Segundo a SAMR, a definição de “绵羊绒” na norma não atende a normas nacionais como a GB 1523—2013 (Lã de ovelha) e GB/T 11951—2018 (Fibras naturais: terminologia) e viola a Lei de Normalização da China. O regulador aponta conteúdo ilegal e procedimento de elaboração irregular. Depois de publicada, diz a SAMR, a norma foi usada por algumas empresas em propaganda enganosa: produtos de lã de ovelha penteada eram vendidos como “绵羊绒”, misturando os conceitos de lã e caxemira e induzindo o consumidor ao erro.
O caso veio a público em 20 de setembro, no programa Relatório Semanal de Qualidade, da CCTV. Em Qinghe, na província de Hebei, uma loja vendia peças “100% 绵羊绒” que, segundo o próprio vendedor, eram de lã de ovelha. Em Jiaxing, na província de Zhejiang, um comerciante do distrito de Xiuzhou disse que o produto vendido com esse nome era só fibra sintética. Segundo a reportagem, a norma definia como “绵羊绒” as fibras mais finas de lã de ovelha, de até 30 micrômetros de diâmetro, separadas na penteação. Ainda segundo a reportagem, pela norma de terminologia de fibras naturais, só a penugem fina de cabra, camelo e iaque pode levar o nome “绒”.
Especialistas ouvidos pela CCTV disseram que a caxemira de cabra bruta, depois de descardada, custa de 600 a 800 yuans por quilo, e a lã de ovelha penteada, de 40 a 60 yuans por quilo: uma diferença de mais de 10 vezes. Na época, a SAMR já tinha emitido uma ordem de correção exigindo que a associação anulasse a norma. Em 21 de setembro, segundo nota da CCTV republicada pela rádio estatal CNR, o condado de Qinghe disse que faria checagem e correção e que o órgão local de regulação do mercado e o centro de serviços da indústria de caxemira ampliariam as inspeções por amostragem nas lojas.
A SAMR diz que vai seguir com a campanha especial contra irregularidades em normas de associação. Estão na mira associações que criam normas fora do que o estatuto permite, normas que contrariam leis e normas obrigatórias, normas feitas sem seguir o procedimento e a cobrança de taxas para redigir normas.
Leitura CSP: normas de associação (团体标准, código “T/”) são elaboradas por associações do setor, não pelo Estado, e podem ser citadas em catálogos e fichas técnicas. O caso mostra que um código “T/” na ficha do fornecedor não garante que o termo seja aceito pelas normas nacionais. Para malha e fio de fibra animal, o comprador deve exigir no contrato a composição com os nomes legais das fibras (山羊绒 para caxemira de cabra, 绵羊毛 para lã de ovelha) e laudo de laboratório independente. Esta leitura é nossa, não das fontes.
Fontes originais
- SAMR (市场监管总局): nota sobre a anulação da T/CAPMA 9—2025, 05/11/2026
- China News Service (中新网), 05/11/2026
- CCTV, Relatório Semanal de Qualidade (每周质量报告), 20/09/2026, via 温州网
- CNR (央广网): resposta do condado de Qinghe, 21/09/2026
Leitura CSP marca a interpretação da redação; o resto vem das fontes citadas.
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